Libertou-se

Passeava pelas calçadas das ruas, despreocupada, como há tempos não se sentia, ela simplesmente resolveu bater de frente com o medo. Se lançou para a vida assim como quem carregava nas mãos os sapatos já desgastados, que acabara de deixar para trás. Pés descalços nas ruas e não se importava com a poeira citadina que ia se acumulando ali no seu passo exaustivo e descompassado, como também já não se importava mais com os olhares maldosos sobre ela. E já com um respirar tranquilo, soltou os cabelos e deixou formar as ondas naturais para os lados que bem quisessem. Não tinha que se arrumar mais para ninguém (Só para ela mesma). Nem reformatar alguma imagem para que pudesse ser um pouco mais admirada.
E mesmo desempregada e desacompanhada nunca sentiu tamanha liberdade e satisfação pessoal explodir dentro daquele peito como naquele momento. Mas, finalmente ela tem conseguido, depois de muito planejamento, entregar-se ao acaso desplanejado de uma vida totalmente liberta e serena. Aberta a ser a mulher que ela realmente queria ser.

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